5 de dezembro de 2025 às 00:45:45
O que era para ser o ápice de um calendário turístico forte virou o símbolo de um governo que desperdiça expectativas e confunde marketing com compromisso real.
O anúncio da programação do Réveillon 2026 na Praia do Abaís expôs, de forma escancarada, a contradição central da gestão de André Graça (PSD). Depois de transformar o São João em um espetáculo milionário para projetar sua imagem como grande promotor de eventos, o prefeito entregou para a virada do ano uma programação tão acanhada que beira o desrespeito com a população. O que era para ser o ápice de um calendário turístico forte virou o símbolo de um governo que desperdiça expectativas e confunde marketing com compromisso real.
A disparidade entre o investimento gigantesco do São João e a pobreza criativa do Réveillon não passa despercebida. A prefeitura passou meses alimentando a narrativa de que Estância seria um polo cultural imbatível, mas, ao revelar um evento sem brilho, desmontou a própria propaganda. Não é sobre os artistas contratados — é sobre a evidente falta de ambição, planejamento e coerência. O que se vê agora é uma gestão que vendeu sonho e entregou rascunho.
Nas redes sociais, o desgaste é palpável. A população reage com indignação, ironia e a sensação de ter sido enganada por um projeto que se mostrou mais vaidoso do que consistente. As comparações com gestões anteriores, antes usadas para exaltar André Graça, agora o colocam lado a lado com administrações que o próprio grupo político criticava. A imagem de “prefeito-pai” derreteu; no Réveillon, o que restou foi um gestor distante, insensível e desconectado da expectativa coletiva.
O prejuízo, porém, pode ir além do campo político. A decisão de entregar um Réveillon fraco ameaça diretamente o turismo local, que depende do fim de ano para movimentar pousadas, restaurantes, vendedores e toda a cadeia produtiva. Com a programação decepcionante, muitos já afirmam que buscarão outras cidades para celebrar a chegada de 2026. Isso significa menos visitantes, menos consumo e uma temporada mais fraca — um retrocesso grave para quem dizia querer transformar Estância em referência no litoral sergipano.
Se a gestão pretende realmente consolidar Estância como destino turístico, precisa parar de subestimar a população e entender que promessa sem entrega desgasta mais que ausência de promessa. O Réveillon 2026 expôs as falhas de planejamento e a falta de compromisso com a continuidade de um projeto cultural sólido. Estância queria luz, energia e projeção. O que recebeu foi um Réveillon apagado — e um recado claro de que a cidade está cansada do improviso travestido de grandeza.
Esta é a opinião do portal de notícias FACTUAL1