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21 de janeiro de 2020 às 00:51:47

Na eleição de Estância: Mais valerá um pássaro na mão, que dois voando.


Na eleição de Estância: Mais valerá um pássaro na mão, que dois voando.
Não é nenhuma novidade e mostra-se cada vez mais notório, que a situação política do atual Prefeito e Pré-candidato a reeleição Municipal em Estância, Dr. Gilson Andrade de Oliveira, pode ser de longe, e no mínimo, classificada como a mais delicada. Aliado quase que de "última hora", se assim pudermos dizer, do atual Governador Belivaldo Chagas e, sinalizando reforçar ainda mais esses laços com uma possível filiação ao PSD, o gestor municipal parece não estar pesando com precisão se a tal aliança realmente será benéfica e terá o impacto positivo desejado em sua jornada em se manter a frente da Prefeitura de Estância.

Belivaldo, que carrega consigo um duro desgaste popular por não fazer valer o slogan "chegou pra resolver" em todo estado e, por insistir em medidas que afetam negativamente e de forma direta os servidores estaduais, sendo a maior e mais impopular delas, a Reforma da Previdência do Estado, é um mero nome sem nenhuma sustância política em Estância, refletido em sua baixa densidade eleitoral local.
Mas talvez Belivaldo seja o único que sabe de sua complicada situação política em Estância, visto que durante os últimos anos, a atenção do Governador com a cidade jardim foi a mais omissa possível: além de não mover sequer uma palha em benefício concreto do município, mesmo em problemas graves como a segurança pública, também não fez nenhuma sinalização de apoio a Gilson Andrade, que parece mais um ser "inanimado" a frente de articulações em parcerias com o Estado que beneficiem Estância.

Também é visível, que o Gestor do Executivo Estadual mal pisou na cidade durante os últimos anos e que raras foram suas fotos e aparições ao lado de Gilson Andrade. Como se tudo isso não bastasse, Belivaldo ainda conta com um processo que pode cassar definitivamente seu mandato ainda este ano, não sendo, em todos estes aspectos, a melhor companhia política.
Mas não são apenas os apoios políticos "fracassados" que Gilson buscou a nível de estado que certamente estão deixando sua situação política muito delicada para as próximas eleições. A nível local, Gilson buscou com toda força e afinco, manter a articulação com todos que pertenceram e que pertencem ao grupo responsável pela sua vitória eleitoral. O único problema é que este grupo acabou se se fragmentando com o passar dos anos e devido a perspectivas de nova política e divergências de ideias, não há mais uma unidade política em torno de um só objetivo.
É inquestionável até para os mais leigos em política, que o apoio do ex-Prefeito Ivan Leite e de seu grupo, bem como dos votos casados de muitos vereadores da base, como os do atual Presidente da Câmara Municipal, André Graça, foram decisivos e cruciais para a ascensão de Gilson Andrade ao Executivo em 2016. A indicação de Adriana Leite, para compor o maioritário como Vice-Prefeita, foi a consumação do principal pacto que elegeu o grupo como um todo, vitorioso.
Tudo poderia estar caminhando muito bem se não fosse pelo próprio Gilson. Além de ter realizado promessas a população maiores do que as que poderia cumprir durante o mandato, de que por exemplo: uma "Nova Estância iria nascer". (que segue sendo um dos principais motivos de críticas e de chacota por boa parte dos estancianos), ainda desagradou boa parte do grupo com afirmações públicas sobre uma possível candidatura de sua vice ao executivo municipal, alegando ironicamente que "todo vice quer ser titular". Afirmação esta, que desagradou profundamente seu aliado de primeira hora, o Ex-Prefeito Ivan Leite, que se manifestou indignado diversas vezes.
Como se tudo isso já não fosse o suficiente para iniciar a fragmentação do grupo, Gilson deixou, se forma intencional ou não, se propagar o boato de que talvez ele estivesse desejando um novo vice para concorrer à reeleição. Sim, o gestor não desmentiu em nenhum momento a possibilidade de escantear a Professora Adriana Leite do majoritário em 2020, mesmo após seu apoiador, o Ex-Prefeito Ivan Leite, deixar bem claro em mais de uma entrevista que "dificilmente estaria com Gilson", se isto acontecesse.
Todos os rumores e boatos ganharam força em torno do nome do atual Presidente da Câmara Municipal, André Graça, e foram se construindo a partir de atitudes do próprio Prefeito, que fez questão de demonstrar seu apreço pelo nome de André em diversos momentos. A ausência da atual Vice-Prefeita, Adriana Leite, nos compromissos públicos, também foi um sinal importante de que a relação política não é mais a mesma.

Como diz o ditado, onde há fumaça, há fogo! O Presidente da Câmara Municipal, André Graça, certamente percebeu a brecha provocada por Gilson e deixada por Adriana, e sem titubear, passou praticamente a agir como braço direito do gestor (quase que um sub-prefeito) se fazendo cada vez mais presente em eventos, entrevistas e até em articulações. Nos últimos dias, por exemplo, chegou a articular sozinho o calçamento de um povoado junto ao seu comandante politico, o Deputado Laércio Oliveira - PP, (aliás, foi graças a Gilson, que ao optar pelo apoio a candidatura de Valdevan 90, fez com André Graça, se tornasse o menino dos olhos de ouro de um dos mais respeitados e influentes deputados federais por Sergipe).
Durante entrevista, em programa de Rádio, o atual Vereador Professor Dionísio, chegou até a classificar no ano passado, a relação de Gilson x André, como a de "um filho primogênito" e de Gilson x Adriana, como a de um "parentes distantes". Hoje, alguns estancianos certamente podem até se confundir caso questionados sobre quem é realmente o(a) Vice-Prefeito(a) da cidade: André ou Adriana?
Mas como tudo tem um clímax, nesse atual jogo político de Gilson, que segue sem um rompimento oficial com Ivan Leite, e sinaliza ao mesmo tempo para a adoção de um novo vice, que tem tudo para ser André Graça, a recente pré-candidatura do Ex-Vice Prefeito, Filadelfo Alexandre, pode sem dúvidas, explicar um pouco da delicada situação política do atual Prefeito e Pré-candidato a reeleição.
Isso mesmo, é que Filadelfo Alexandre é sócio e amigo pessoal de André, então pelo desenho, jamais estariam em lados opostos. Certamente, o MDB não o lançou pré-candidato à toa, a menos que ele não confie muito nas sinalizações de Gilson Andrade, de "escantear Adriana Leite" e "ceder a vice pré-candidatura na chapa a André Graça". Isso explica a delicada situação que o atual Prefeito se encontra, pois "dois sentidos não assimilam" e "não se acende vela para dois santos". Ao escolher um(a) pré-candidato(a), Gilson Andrade sabe que estará, automaticamente, rompendo, pelo menos de imediato, com um de seus importantes aliados, seja Ivan Leite, seja André Graça.
A também sinalização do Ex-prefeito, Ivan Leite, afirmando que não seria uma "morte política" apoiar um dos principais opositores de Gilson, Márcio Souza - PSOL, com toda certeza reforçou a premissa do Prefeito de que "cautela é mais que necessária".

Sendo assim, Gilson com toda certeza, adiará ao máximo o lançamento de uma pré-candidatura de(a) seu(sua) próximo(a) vice, visto que lutará com todas as suas forças e até os últimos minutos para manter seu grupo atual unido. Porém, mesmo que seja aos minutos finais do segundo tempo de uma possível prorrogação, Gilson Andrade terá de escolher quem representará seu principal apoio em 2020, afinal "mais vale um pássaro na mão, que dois voando".
Este, meus caros leitores, é o espetáculo político gratuito, que outras pré-candidaturas ao Executivo Municipal de Estância este ano, assistem de camarote sem precisar de óculos 3D, afinal embora diferentes, todas elas seguem um rito muito parecido e sem grandes preocupações.

Por: Lucas Berto da Silva

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