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3 de agosto de 2017 às 21:52:00

EDITORIAL: Estância e a Mesquinharia da SECOM

Editorial


EDITORIAL: Estância e a Mesquinharia da SECOM
Desde a invenção da tipografia em cerâmica pelo chinês Pi-Sheng, em 1041, ainda no século XI, ou como é mais conhecido no ocidente a elaboração de tipos, letras móveis em cobre sobre uma base de chumbo para a impressão em papel pelo alemão Johannes Gutenberg, em 1455, que a “imprensa”, como ficou denominado o invento, cumpre um papel importante para a sociedade na divulgação de ideias.

No Brasil era proibida a atuação da imprensa, tudo lido por aqui vinha prontinho da metrópole europeia. Só no início do século XIX, Portugal permitiu a instalação da imprensa brasileira, mesmo assim era régia, ou seja, sob o controle estrito e permanente da monarquia de plantão.

De sorte nunca existiu, de fato, uma imprensa majoritariamente livre e independente. Basta dizer que neste país cinco famílias poderosas controlam com “mão de ferro” a chamada grande mídia. O que é muito ruim e até dramático para uma sociedade que se pretende democrática.

Estância na condição de uma cidade de vanguarda ensinou o estado de Sergipe a ler jornal, com o pioneiro “Recopilador Sergipano” de 1832. Se não bastante, liderou também na radiofonia AM, instalando a Rádio Esperança, em 1967 - a primeira do interior. Talvez seja, por isso, que a história da comunicação estanciana é repleta de grandes profissionais.

Fica evidente que a imprensa, ou melhor, a liberdade de imprensa e a democracia são confidentes de primeira hora. A relação é necessária e umbilical. Para corroborar com essa tese o Instituto de Análise e Opinião prestando serviço para a Folha de São Paulo, constatou recentemente, que 91% dos brasileiros (as) defendem que a imprensa séria ajuda a combater a corrupção ao divulgar nomes de políticos (as) e autoridades envolvidas.

Todavia é preciso ainda saber separar o “joio do trigo”, tem uma imprensa realmente que presta um desserviço ao conjunto da sociedade: a sensacionalista e politiqueira. A municipalidade conhece bem esse tipo. Aliás, a administração liderada pelo ex-prefeito Carlos Magno foi vítima dela. Movida pela derrota eleitoral de 2012, atuou durante quatro anos sem o menor pudor, destilando ódio e rancor. Usou pessoas carentes e até oportunistas para atingir o seu intento. Era uma verdadeira caçada. É a chamada “imprensa marrom”. É fétida e servil!

Todavia a Secretaria Municipal de Comunicação Social - SECOM - do município pode e deve cumprir um papel fundamental, visando oportunizar a atuação qualificada de todos os veículos de comunicação e, consequentemente, fortalecer a participação da população rumo à cidadania.

Mas quando quem está à frente do grupo político e da gestão concorda e estimula essa postura e compostura autoritária e excludente da pasta ocorre a cristalização de uma forma medíocre e preconceituosa de condução do erário. O que é lamentável! Porque a cidade é resultado da contribuição de todos (as).

Atualmente o prefeito Gilson Andrade e a Secom (que vive em constantes disputas internas) privilegiam apenas dois veículos de comunicação no município, pois se enquadram perfeitamente dentro da sua lógica de poder. É uma atitude nada republicana e que estabelece o controle pelas trinta moedas.

Certamente seja devido a esse comportamento do gestor que no último dia 22 de junho, vários veículos de comunicação a exemplo do Factual1, F5 Sergipe, a Folha da Região, a Gazeta de Estância, Sergipe Repórter e a Tribuna Cultural recusaram-se a aceitar convite da SECOM para um “passeio de trenzinho do forró” pela cidade! Abaixo à mesquinharia da Secom!


Por: José Domingos Machado Soares - Colunista Professor da rede estadual e presidente do PT de Estância

Autor

  • José Domingos Machado Soares, Dominguinhos, 44, é estanciano, graduado em História pela Universidade Federal de Sergipe -UFS e pós graduado em Didática e Metodologia pela Faculdade São Luis de França. Radialista e professor da rede estadual de ensino desde 2004. Foi vereador em Estância com atuação destacada por quatro mandatos.

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